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CULTURA

BURITIENSE OU BURITISENSE?

 

         Há alguns anos, em conversa com um ex-secretário de educação, a despeito de algumas faixas alusivas à festa junina promovida por aquela secretaria, entabulamos um debate sobre adjetivos pátrios e qual seria o adjetivo correto para nosso município: buritiense ou buritisense. Na época, chegamos a um acordo de que a tradição prevalecia e que seria muito difícil à comunidade acostumar-se com uma grafia diferente. O tempo passou e a polêmica ganhou as ruas. Hoje o assunto é discutido desde os campos e quadra de futebol, até os bancos escolares. Recentemente uma antiga colega professora me veio falar que foi questionada pelos seus alunos, em sala de aula. Como o tema passou a interessar a um grande número de pessoas e considerando que os gramáticos brasileiros não tenham, ainda, normatizado o assunto – os adjetivos pátrios normalmente terminam em ENSE, ANO, INO – e ainda, acreditando que posso ajudar na discussão, resolvi emitir minha opinião acerca da questão e, para começar, buscamos a origem da palavra BURITIS, que, aqui, é plural de buriti – palmeira abundante na região, cantada em prosa no livro do grande escritor João Guimarães Rosa, GRANDE SERTÃO: VEREDAS, onde são contados e cantados os amores, as aventuras e desventuras de Riobaldo e Diadorin. Também o escritor Afonso Arinos faz referência à região dos buritis e ainda Olímpio Gonzaga, emérito escritor de Patos de Minas que, ao relatar a vida da cortesã “Dona Beja”, também cita os buritizais do noroeste mineiro. Ainda o escritor arinense, Rodolfo Valadares cantou em verso e prosa o povo e os lugares do vale do Urucuia.
         Considerando-se o singular BURITI, que designa a palmeira, o adjetivo pátrio seria Buritiense, com o qual a maioria da população concorda. Também a maioria de intelectuais e professores locais. Mas, considerando que BURITIS é nome próprio para a cidade, e esta é singular, pois não é formada de várias “BURITI”, não se deve suprimir o “S” ao designar o adjetivo pátrio que, assim sendo, deve ser grafado BURITISENSE.
         Claro está que não considero a questão fechada, principalmente porque não sou, nem tenho a pretensão de ser, dono da verdade. Os argumentos apresentados têm o objetivo de acrescentar algo ao debate e mostrar que esse é um assunto de suma importância para todos que aqui vivem, pois trata-se da nossa cidade, da nossa História, do nosso orgulho.

 

Valdimir Teixeira de Sousa

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